João Derly foi ovacionado em sua despedida | Foto: Miguel Noronha / FGJ

Artigo: O fim de uma carreira de atleta

Deputado federal e bicampeão mundial de judô, João Derly enviou um artigo sobre o fim da carreira esportiva. No texto, ele destaca o compromisso de um atleta profissional com o esporte no Brasil. A íntegra do artigo está disponível abaixo:

Um atleta profissional – ou atleta olímpico – de alto rendimento tem uma carreira esportiva muito curta, que geralmente se encerra perto dos 30 anos de idade. Com o final deste ciclo, eles muitas vezes enfrentam problemas para se adaptar à nova rotina e não raras vezes se deparam com grandes dificuldades financeiras e, principalmente, emocionais.

No Brasil, há pouca preocupação com esse tema importantíssimo, que é a transição do final da carreira de um atleta. Essa questão torna-se mais intrigante quando toca as modalidades esportivas além do futebol, que possui cultura fortíssima no país, recursos bilionários e proporciona uma supervisibilidade aos atletas. Apesar dessa condição diferenciada, não são poucos que passam por dificuldades após a aposentadoria. Ou seja, falta ao atleta brasileiro, mesmo para aqueles que possuem as melhores condições, uma preparação para o inevitável fim de carreira.

Mas por que isso ocorre? Porque a rotina de treinamentos e viagens torna difícil a rotina de estudos, comprometendo, assim, o futuro profissional do atleta, após a aposentadoria. O pesquisador Dietmar Martin Samulski, da Universidade Federal de Minas Gerais, fez um estudo sobre o a transição para a vida de ex-atleta, no qual chegou à conclusão que é essencial o apoio familiar, o retorno aos estudos e a inserção em outros grupos sociais.

Temos exemplos positivos, como da Confederação Brasileira de Voleibol, que trata seus ídolos com embaixadores do esporte, respeitando a história construída, incentivando e divulgando o esporte e a prática por todo o país.

Enfim, o final da carreira do atleta de alto rendimento significa o fim um ciclo de extremo comprometimento com objetivos e metas de alta performance, além de um grande esforço físico e emocional. Mesmo assim, percebe-se muito pouca iniciativa quanto ao debate desse tema.  É inconcebível, por exemplo, que os atletas sejam extremamente valorizados quando de uma grande conquista e, logo após, esquecidos pelos gestores da modalidade e do esporte em geral.

Nessa esfera, é de suma importância a contínua construção das comissões de atletas que foram instauradas, recentemente, nas confederações esportivas, debaterem esse tema.

Afinal, um atleta profissional pode e deve dar muito mais a uma nação que as suas medalhas esportivas.

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