Yves Dupont, o primeiro gaúcho faixa preta com Síndrome de Down

A Organização das Nações Unidas celebra pela primeira vez neste ano o Dia Internacional do Portador da Síndrome de Down. A data escolhida foi esta quarta-feira. A doença é caracterizada por três cromossomos no par de número 21. Por isso a escolha da data.
Dentre seus filiados, a Federação Gaúcha de Judô possui um faixa preta com Síndrome de Down, Yves Dupont, que alcançou a graduação em dezembro de 2007. Abaixo, como forma de homenagem, a matéria publicada à época.

A Organização das Nações Unidas celebra pela primeira vez neste ano o Dia Internacional do Portador da Síndrome de Down. A data escolhida foi esta quarta-feira. A doença é caracterizada por três cromossomos no par de número 21. Por isso a escolha da data.

Dentre seus filiados, a Federação Gaúcha de Judô possui um faixa preta com Síndrome de Down, Yves Dupont, que alcançou a graduação em dezembro de 2007. Abaixo, como forma de homenagem, a matéria publicada à época.

O exemplo de Yves

Poucas cerimônias de promoção de faixas de judô foram tão emocionantes quanto a de 11 de dezembro de 2007, na Sogipa. Não pelo fato de que, sobre o tatame, estivesse o único brasileiro bicampeão mundial do esporte, muito menos pela presença de diferentes gerações, de veteranos a novatos, no dojô, e sim pelo grande astro da noite. Derly? Tiago? Mayra? Não, ele se chama Yves Dupont. O primeiro gaúcho portador de Síndrome de Down a alcançar a graduação máxima no judô: a faixa preta.

O caminho foi longo para Yves. Mais do que os 11 anos no tatame. Até o momento em que o bicampeão João Derly se agachasse em sua frente para amarrar a nova graduação na cintura foram muitos golpes. O primeiro deles, no preconceito. O atleta passou um ano apenas assistindo os treinos no dojô. Não queria lutar por se considerar “diferente” dos outros. Foi quando o professor Daniel Pires o convidou a tornar-se judoca e convenceu-o que não existe nenhuma pessoa igual a outra. Portanto, todos são diferentes.

Daí para frente aconteceram os aprendizados. Ele foi absorvendo toda a filosofia criada por Jigoro Kano no século XIX no Japão, e passou a aplicar kokas, yukos, waza-aris e ippons nos adversários. Sejam eles “normais” ou não. Sejam eles judocas ou a sociedade preconceituosa. A recompensa veio aos poucos. Medalhas, títulos e, o mais importante de tudo: respeito. Mesmo assim, foi difícil. Mas todo suor derramado, todos os momentos difíceis haveriam de ter sua recompensa.

Ela veio em 11 de dezembro de 2007, na cerimônia de promoção de faixas, uma das mais emocionante em 40 anos do judô sogipano. Redes de TV e repórteres de jornais vieram ao dojô do clube. Não para ver João Derly, Tiago Camilo ou Mayra Aguiar. Foram para ver Yves se tornar o primeiro gaúcho e segundo brasileiro a receber a faixa preta. “Temos aqui um verdadeiro campeão da vida”, disse Kiko, coordenador técnico do judô, enquanto lágrimas furtivas surgiam em boa parte das centenas de olhos que acompanhavam o evento.

Palmas, muitas palmas, espocaram assim que Derly acabou de atar a faixa preta na cintura de Yves. Os dois se abraçaram, cumprimentaram-se e enxugaram o choro para posar para as fotos. Dois campeões juntos. Um servindo de exemplo para o outro. João, pelos títulos; Yves, pela superação. Ambos pelo exemplo.

Confira a reportagem, exibida em rede nacional, sobre a promoção de faixa de Yves

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2 Comments

  1. Ele é incrível de judô ! É muito bom prá o Yves mostrar de judô para manter disciplina boa, saúde e vi ele é muito educado por nós. Quando eu estava em Tramandaí onde teve competição, ele me encontrou e me beijou, observei que ele é igual como nós. Desejo que ele merece muito a faixa preta. Eu também estou faixa preta, sempre ativando numa boa, me viro muito para manter enxergar e ouvir, mas NÓS SOMOS IGUAL DE VERDADE.
    Parabéns Yves neste dia. Um abraço bem apertado

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